Quando você pensa no Tarot, o que vem a sua mente? Leitura do Futuro? Adivinhação? Misticismo? Ao ler esse artigo você terá uma nova visão e conhecimento de uma proposta diferente do Tarot.

Para abordar o tema do Tarot, é importante conhecer as origens e estruturas que o compõe, por meio de uma abordagem de pano de fundo.

Pano de fundo

A mente humana possui muitos mistérios, e uma parte foi estudada pelo Sigmund Freud quando em contato com os fenômenos da mente humana e sua relação com a saúde.

Ao atender uma das pacientes, ele começa a empregar o método da Hipnose terapêutica (a Hipnoterapia). Daí nasce uma das suas maiores descobertas sobre a mente humana. Percebe a mente em três camadas:
– A mente consciente pela qual nos percebemos em maior parte do tempo e espaço,
– A camada chamada de subconsciente que é o repositório das informações e experiências vividas desde a concepção, até os dias atuais do indivíduo,
– E a camada, inconsciente, que tem entre suas estruturas o instinto de sobrevivência e preservação, responsáveis por ações automáticas como o funcionamento dos órgãos do corpo e outras ações do dia-a-dia que realizamos de maneira automática; ou seja, sem pensar, inconsciente.

Essas estruturas: consciente, subconsciente e inconsciente compõem um dos aparelhos psíquicos da teoria da psicanálise, como é chamada posteriormente a teoria de Freud.

A jornada arquetípica Junguiana

Da relação próxima entre os dois médicos: Freud e Carl Gustav Jung começa uma troca de informações que permite Jung, ao se separar de Freud, começar uma jornada em vários povos, nações, tribos, línguas, países e lugares do mundo, desde primitivas até modernas civilizações e perceber que os símbolos presentes entre os seres humanos e possui representações e influências semelhantes, indiferente das distâncias geográficas, culturais, religiosas, históricas e de tempo que os seres humanos possuíam entre si, a esse fenômeno, Jung chamou de inconsciente coletivo.

Jung também percebe que os símbolos possui origens tão antigas quanto os seres humanos que deles fazem uso. A isso ele chama de arquétipo, da palavra grega Arkhé – que significa: princípio, início, origem, primórdio… e typos – que significa: forma, imagem, símbolo, representação… Na estrutura de Jung, estrutura universal proveniente do inconsciente coletivo que aparece nos mitos, nos contos e em todas as produções imaginárias do indivíduo e que o ser humano ao longo das gerações vai adaptando tais símbolos as suas necessidades e contextos históricos em que vive a cada momento da história.

Jung define que “o arquétipo representa essencialmente um conteúdo inconsciente, o qual se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matrizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta” (JUNG, 2011).

Jung também percebe a presença dos símbolos e arquétipos nas mais variadas formas da arte: gravuras, pinturas, imagens, quadros, grafites, esculturas, música, obras literárias, publicidade, propaganda, Marketing e em toda comunicação e relação que existe entre os seres humanos.

Tamanha percepção de Jung, faz nascer a obra desenvolvida com ajuda de alguns colaboradores, intitulada: O Homem e seus Símbolos, por Carl G. Jung. A parte de Jung na Obra foi completada 10 dias antes que viesse falecer de causas naturais, relacionadas a idade e condições de saúde.

Jung e o Tarot

Por conta da ampla consciência, entendimento, humanidade e espiritualidade que Jung possuía e apresenta em seus trabalhos e obras publicadas, foi atribuído a ele uma forte relação com o Tarot, dado ao fato que está presente no Tarot as estruturas essenciais das teorias de Jung, como imagens, símbolos e arquétipos.

Mesmo nos mais diferentes tipos de Tarot, como por exemplo: o Tarot de Marselha e o Tarot de Waite, que embora possuam origens diferentes, possuem também espantosa semelhança em relação as figuras, símbolos e arquétipos, além de profunda relação com o entendimento, interpretação e influência que tais símbolos e arquétipos têm na vida dos seres humanos, ao que Jung definiu como inconsciente coletivo.

Jung, o Tarot e a interpretação do futuro

Ainda que alguns dizem ser capazes de ler com o Tarot o futuro e ainda que outros consulentes dizem ter experiências em que pessoas leram o seu futuro usando a ferramenta do Tarot, esse fenômeno poderia ser facilmente explicado pelas teorias: do inconsciente coletivo e sincronicidade de Jung. Não passando na maioria dos casos, de uma percepção dos conectivos e desdobramentos da vida do consulente, partindo de uma boa análise do contexto de vida atual, com o uso do Tarot como ferramenta.

Entretanto, por conta da relação profunda que o Tarot tem com a mente humana e os fenômenos que ela possui e realiza, algumas religiões pegaram emprestado a ferramenta do Tarot e atribuíram pensamentos mágicos, tais como: adivinhação do futuro e outras formas estranhamente místicas. Contudo não há nenhuma base científica, empírica ou constatações fortes para tais aplicações. Visto que assim como o olhar do observador muda e altera a interpretação sobre o resultado do experimento, assim é quando, o homem lança seu olhar sobre o futuro. Querendo dizer portanto, que a leitura do futuro é tão mais complicada, quanto a interpretação do momento presente. Tornando-se um desafio muito mais complexo e as vezes impossível. E que para o indivíduo prático, basta o entendimento sobre o momento presente para construir com suas escolhas, o seu futuro. Melhorando assim, os seus resultados.

As aplicabilidades práticas do Tarot

A partir desse compêndio e base de estudos apresentados, é possível dizer que a ferramenta do Tarot tem forte ligação com a mente inconsciente e com o inconsciente coletivo descrito por Jung, e que por meio do Tarot é possível realizar uma análise do contexto de vida atual, ajudando cada ser humano a partir de sua própria interpretação e percepção de mundo, resolver situações em que se encontra: confuso, indeciso, em dúvidas, sem solução, com medos, angustiado, preocupado, precisando de opções e recursos internos que possibilitem o consulente fazer uma análise e tomar a decisão que julgar melhor para si entre as melhores escolhas para questões práticas da vida, aprendendo com suas próprias experiências e crescendo em autoconhecimento.

As perguntas feitas a mente inconsciente e ao inconsciente coletivo por meio da ferramenta do Tarot podem ter relação com as diversas áreas da vida, incluindo: questões da vida intelectual, emocional, afetiva, psicoemocional, financeira, trabalho, estudos, carreira, família, filhos, relações conjugais, negócios, contextos práticos e cotidianos da vida, hobby, lazer e diversão, incluindo o sistema de crenças pessoal e espiritual que cada pessoa possui em contextos sempre práticos.

A jornada arquetípica com o Tarot é uma fascinante experiência que cada pessoa pode permitir-se usufruir para seu próprio benefício e crescimento, valendo a pena buscar um profissional com bases sólidas de conhecimento e experiência de trabalho com o Tarot e a mente humana.

Se você tem interesse em realizar uma análise do seu contexto de vida atual e desenvolver o autoconhecimento com crescimento na parte prática da vida, entre em contato e agende seu atendimento!

Autor: Darco Sousa
Terapeuta psicoemocional – SBPI: 241
em Desenvolvimento Humano – CRA-DF: 022037
Hipnoterapeuta e Hipnoanalista – HMI/AHA: 42167/144721
e Tarólogo

Bibliografia:

Filme: Freud (Freud, além da alma, no Brasil) é um filme norte-americano de 1962 dirigido por John Huston. Biografia romanceada do pai da psicanálise, Sigmund Freud e suas teorias. Apresenta seus casos mais célebres e o envolvimento Terapêutico com os pacientes.

JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos. Editor: Carl G. Jung
e, após sua morte, M. – L. von Franz. Coordenador Editorial: John Freeman. Editores da Aldus, Texto: Douglas Hill, Desenho: Michael Kitson, Pesquisa: Margery MacLaren, Auxiliares: Marian Morris, Gilbert Doei, Michael Lloyd, Conselheiros: Donald Berwick, Norman MacKenzie, Revisão: Nildon Ferreira, Produção Gráfica: Celso Nascimento. Título original em inglês: THE MAN AND HIS SYMBOLS – © 1964 Aldus Books Limited, Londres exceto o capitulo 2, intitulado “Os Mitos Antigos e o Homem Moderno”, de Dr. Joseph L. Henderson.

JUNG, Carl Gustav. A Vida Simbólica. Obras Completas. Vol. XVIII/I. Petrópolis. Ed. Vozes. 2 Edição 1998.

JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Obras Completas. Vol. IX/I. Petrópolis. Ed. Vozes. 2011. SHARP, Daryl. Léxico Junguiano. São Paulo: Cultrix, 1997.

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