O problema com a água vai além da questão ambiental para uma questão de guerras mundiais.

A água é sagrada. Quase todas as religiões no mundo dão esta conotação à água. Hindus e Budistas acreditam que os rios tenham origem no mítico Monte Meru, lar dos deuses. O Alcorão nos diz que tudo nasceu na água (na verdade 70% do nosso corpo é feito de H2O). Jesus caminhou sobre as águas e no Batismo ela é o símbolo da purificação. O Taoísmo freqüentemente cita a água como exemplo, com Lao Tzu dizendo-nos que devemos ser como a água: ser bons, ajudar a todos e seguir a corrente. Mas no século XX a água tem sido motivo de guerra. Em 1980 os serviços de inteligência dos Estados Unidos identificaram 10 locais onde poderiam acontecer “Water wars”*.

A Situação mundial é: “Israel, Jordânia e Palestina: 5% da população do mundo sobrevivem com 1% da sua água disponível no Oriente Médio, nesse contexto ainda há a guerra entre árabes e israelenses.” Na “Turquia e Síria: Os projetos da Turquia para construção de represas no rio Eufrates levaram o país à beira de um conflito com a Síria em 1998.” Também na “China e Índia: O rio Brahmaputra já causou tensão entre Índia e China e pode se tornar uma faísca para dois dos maiores exércitos do mundo.” Situações semelhantes acontecem entre: Angola e Namíbia; Etiópia e Egito e em outros lugares como: Bangladesh e Índia**. Estes cenários apontam que é possível que em breve a água seja fonte de conflitos mundiais do mesmo modo que o petróleo no século XX.

Enquanto isso, “mais de um bilhão de pessoas não dispõem de água salubre e 25 mil entre elas morrem diariamente, devido à má qualidade das águas que usam e tomam”***.

O professor Igor Shiklomanov**** “alerta ainda que é preciso encontrar novas técnicas e mecanismos de reciclagem das águas”.

Organizações dos mais diversos setores econômicos têm unido forças com as políticas públicas para contribuírem juntamente com a saúde, qualidade de vida e qualidade da água.

É sensato perceber que no contexto atual e eminente da Guerra da Água existem muitas variáveis incontroláveis, mas como afirmou Thomas Carlyle: “O nosso principal objetivo não é ver o que se encontra vagamente a distância, mas fazer o que se acha claramente ao nosso alcance”*****.

Por isso, pode não esta sob seu controle resolver a questão da Guerra Mundial pela água, mas certamente se acha ao seu alcance resolver os conflitos em busca de soluções para melhor e mais saudável uso da água que você e as pessoas ao seu redor consomem. Pense nisso!

Darco Sousa
Administrador, Consultor,
Professor, Palestrante,
pesquisador e autor de
vários programas sobre:
A contribuição das Organizações
com a sustentabilidade ambiental
Site: www.darcosousa.com

Referências:
*. Planeta Orgânico. Site visitado em: 30/08/2010, no endereço: http://www.planetaorganico.com.br/aguawar.htm
**. Terra Azul. Site acessado em: 06/09/2010 no endereço: http://www.terrazul.m2014.net/spip.php?article311
***. Prime. Site visitado em: 30/08/2010, no endereço: http://www.pime.org.br/mundoemissao/ecolguerra.htm
****. Diretor do Instituto de Hidrologia da Rússia, numa pesquisa para a UNESCO.
*****. Carnegie, Dale, 1888-1955. Como evitar preocupações e começar a viver / Dale Carnegie; Tradução de Breno Silveira; revisada por José Antonio Arantes de acordo com a edição americana de 1984 aumentada por Dorothy Carnegie – 37. Ed. – São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2003. Título original: How to stop worrying and start living.

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