No ambiente corporativo a terceirização é algo comum e têm seus pontos positivos, negativos, exageros e até aberrações. Contudo, nenhuma aberração pode ser maior e com estragos tão grandes, como no caso da terceirização da educação. Terceirização da educação? Sim!

A terceirização da educação acontece no ambiente da família. Quando os pais transferem a responsabilidade da educação dos filhos para outras pessoas, fatores, ambientes, empresas, instituições e organizações de um modo geral que participam mais ativamente no contexto da educação dos filhos que as pessoas mais interessadas; no caso os pais.

É verdade, que muitas vezes as organizações citadas acima e pessoas ou ambientes que participam deste contexto da terceirização da educação, fazem de forma inconsciente. Muitas vezes a organização nem percebe que está inserida dentro deste contexto da terceirização da educação.

Existem casos em que tanto pessoas quanto organizações que prestam serviços para a família desejam simplesmente atender às necessidades que os pais têm em relação às questões citadas no enredo a baixo. O único interesse destes prestadores de serviços no caso: é atender à necessidade familiar e facilitar a vida dessas pessoas.

Entretanto, é importante que todas as pessoas e organizações que prestam serviços para a família, estejam atentas em: auxiliar, sugerir e se possível manter uma postura de não participação e conivência com a terceirização da educação e os males causados por ela.

A narração citada abaixo ilustra de forma prática como acontece a terceirização da educação.

Pela manhã logo cedo à educação que poderia ser transmitida pelos pais no momento do café da manhã em diálogos e conversas sobre o dia-a-dia é transferida para a empregada, que geralmente prepara o café da manhã e estabelece os primeiros diálogos com a criança.

Seguido da participação do pai, que quase como um gerente; que cobra as metas dos seus funcionários, cumprimentando o filho antes do bom-dia com a seguinte frase:

– “Quando eu chegar quero ver resultados das escolas”.

O próximo personagem é a mãe, que quase como um supervisor do gerente citado anteriormente reforça a cobrança das metas. A seguinte frase exclama:

– “Você já ouviu o que seu pai falou. Né”?

No momento seguinte a criança é recepcionada na porta de casa pelo motorista da van ou o motorista particular que buzina e chama o menino aos berros para dentro do carro. Seguido da pergunta:

– “Como vai na escola”?

A criança já não suportando tanta pressão responde:
– “Vamos mudar de assunto. Já recebi três cobranças só hoje cedo”.

Na escola a professora diz para o aluno:

– “Na semana passada conversei com seu pai”.

Nesta hora a criança se belisca e pergunta se isso é um pesadelo.

Conversando com um coleguinha na saída da escola, o amiguinho pergunta:

– “Essa escola é boa”?

Ao que o menino responde:

– “Agente mais estressa que aprende”.

Após o primeiro round na escola, esse é encaminhado para a próxima empresa de fast food que terceirizará a nova oportunidade que o pai teria juntamente com a mãe para estabelecer um diálogo e transmitir a tão importante educação.

Após o fast food, novamente o agente da educação aparece levando o filho para alguma outra atividade. Muitas vezes uma aula de acompanhamento ou reforço escolar, aulas particulares, aulas de dança, aulas de inglês, aulas de alguma outra língua e até japonês se for o caso. A agenda da criança mais parece uma agenda de um executivo, tem capa preta com dias e horários para todos os segundos do ano.

Não que as instituições citadas acima e as pessoas sejam um mal, muito pelo contrário elas podem e o objetivo muitas vezes é ajudar. O grande problema está em “despachar” o filho para algum lugar que possa assumir a responsabilidade pela educação que os pais não querem participar.

Chegando ao final do dia, todo mundo está em casa. O pai, a mãe, o filho, até o cachorro está lá, menos à educação. Justamente porque nesse momento todo mundo está como uma múmia procurando o primeiro sarcófago para poder deitar e repousar após uma longa jornada de trabalho e atividades nessa busca intensa sabe lá Deus pelo o que.

A comunicação antes verbal começa a ser substituída pela rede de Internet, presente no ambiente doméstico, que intermedia à comunicação entre um quarto e outro por meio das mensagens instantâneas. Em quartos separados, o teclado “fala” mais que as bocas, que quando falam xingam alguns palavrões deste contexto de uma vida desgraçadamente sem educação.

O fim de semana vem chegando. Todos muito cansados da rotina da semana; então nasce uma grandiosa ideia, que ou é sugerida pelos pais ou é sugerida pelos filhos. Terceirizar novamente a educação para alguém que foi menos influenciada por este contexto de um mundo moderno e tecnologias mal utilizadas. As famosas: vovós.

Em suas aconchegantes casas recebem os netos quase como santos. Este santo diabinho baixa na casa desta santa, que por sua vez tenta entender o que está acontecendo no contexto familiar.

A pergunta muitas vezes é:

– “Meu filho o que aconteceu com você”?

O grande problema é que muitas vezes nem ele mesmo sabe o que está acontecendo.

E então responde:

– “Sei lá! Pergunta para meus pais”.

Essa narração apenas ilustra casos que são mera coincidência em contextos de famílias, onde a educação é terceirizada para qualquer pessoa, que nem sempre são os pais.

Analisando a questão pelo prisma: que a educação e o conhecimento são coisas eternas e possivelmente as maiores heranças que os pais poderão deixar na essência do modelo inicial de cada ser que vem ao mundo. Fica aqui uma pergunta: não deveria ser para os pais uma honra educar cada um de seus filhos? Pense nisso na prática!

Quanto à terceirização da educação, resta dizer: “Livrai-nos deste mal. Amém”!

Publicado em 2009 – no site: http://www.darcosousa.com e em várias Organizações Educacionais, tornando-se Missão Organizacional de muitas delas.

Escrito por: Darco Sousa

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